Voltar para Psicologia positiva e neurociências

Psicologia positiva e neurociências

Liderança positiva: do desempenho normal ao extraordinário.

A forma como o líder se relaciona com as pessoas tem efeito mensurável sobre engajamento e resultado. Quatro estratégias reúnem o que a pesquisa encontrou.

Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento · Leitura de 7 minutos

Alguns líderes saem de uma reunião deixando a equipe com mais energia do que ela tinha ao entrar. Outros têm o efeito contrário. Pesquisadores mediram esse fenômeno e o chamaram de energia relacional. Em estudos com profissionais de diferentes organizações, a energia que as pessoas recebiam da interação com o líder previu o engajamento no trabalho, e esse engajamento previu o desempenho avaliado (Owens et al., 2016).

A descoberta resume a proposta da liderança positiva. A forma como o líder se relaciona com as pessoas é um fator de desempenho, com efeito mensurável.

Do desempenho normal ao extraordinário

Kim Cameron, da Universidade de Michigan, é um dos fundadores dos estudos organizacionais positivos. Ele parte de uma observação. A maior parte da gestão se dedica a levar organizações de um desempenho ruim a um desempenho normal: corrigir erros, reduzir custos, resolver conflitos. A liderança positiva se ocupa também do outro lado, o que leva do normal ao extraordinário (Cameron, Dutton e Quinn, 2003; Cameron, 2012).

Contínuo de desvio de desempenho À esquerda, o desvio negativo: ineficiência, erros e relações conflituosas. No centro, o desempenho normal, que corresponde ao esperado. À direita, o desvio positivo: excelência, vitalidade e relações que geram energia. A gestão tradicional fecha a lacuna de déficit. A liderança positiva busca a lacuna de abundância. Desvio negativo ineficiência e erros relações conflituosas sobrevivência Desempenho normal eficiência relações cordiais o esperado Desvio positivo excelência relações que geram energia florescimento lacuna de déficit: corrigir problemas lacuna de abundância: buscar o extraordinário
O contínuo de desvio. A gestão tradicional fecha a lacuna de déficit. A liderança positiva busca também a lacuna de abundância. Adaptado de Cameron (2012).

Quatro estratégias com efeito comprovado

Cameron organizou a pesquisa em quatro estratégias. Num estudo com unidades de saúde e empresas de serviços financeiros, as organizações que adotaram mais práticas positivas apresentaram melhores indicadores de efetividade ao longo do tempo (Cameron et al., 2011).

1Clima positivoCompaixão, perdão e gratidão expressos no dia a dia, sobretudo em momentos difíceis.
2Relações positivasVínculos interpessoais de alta qualidade, que geram energia e reconhecem as forças de cada pessoa.
3Comunicação positivaReconhecimento apreciativo frequente e feedback que fala de comportamentos e caminhos.
4Significado positivoLigação clara entre o trabalho de cada um e um propósito que vale a pena.

Segurança psicológica

Em times de alto desempenho, as pessoas admitem erros, fazem perguntas e discordam sem medo de constrangimento. Amy Edmondson, da Universidade Harvard, chamou essa crença compartilhada de segurança psicológica. Em seu estudo com equipes de uma empresa industrial, a segurança psicológica favoreceu comportamentos de aprendizagem, que por sua vez se associaram a melhor desempenho (Edmondson, 1999). Anos depois, um estudo interno do Google com centenas de equipes, o Projeto Aristóteles, apontou a segurança psicológica como o fator mais importante para a efetividade dos times.

O líder tem papel decisivo aqui. A forma como ele reage ao primeiro erro relatado ensina à equipe se vale a pena relatar o segundo.

Conexões de alta qualidade

Pesquisadores dos estudos organizacionais positivos mostraram que mesmo interações breves podem gerar energia ou drená-la. Conexões de alta qualidade são marcadas por respeito, confiança e envolvimento mútuo. Elas aumentam a capacidade das pessoas de lidar com tensões e de aprender umas com as outras (Dutton e Heaphy, 2003).

Referências

  1. Cameron, K. (2012). Positive leadership: Strategies for extraordinary performance (2nd ed.). Berrett-Koehler.
  2. Cameron, K. S., Dutton, J. E., & Quinn, R. E. (Eds.). (2003). Positive organizational scholarship: Foundations of a new discipline. Berrett-Koehler.
  3. Cameron, K., Mora, C., Leutscher, T., & Calarco, M. (2011). Effects of positive practices on organizational effectiveness. The Journal of Applied Behavioral Science, 47(3), 266–308.
  4. Cooperrider, D. L., & Srivastva, S. (1987). Appreciative inquiry in organizational life. Research in Organizational Change and Development, 1, 129–169.
  5. Dutton, J. E., & Heaphy, E. D. (2003). The power of high-quality connections. In K. S. Cameron, J. E. Dutton & R. E. Quinn (Eds.), Positive organizational scholarship (pp. 263–278). Berrett-Koehler.
  6. Edmondson, A. (1999). Psychological safety and learning behavior in work teams. Administrative Science Quarterly, 44(2), 350–383.
  7. Owens, B. P., Baker, W. E., Sumpter, D. M., & Cameron, K. S. (2016). Relational energy at work: Implications for job engagement and job performance. Journal of Applied Psychology, 101(1), 35–49.